Planeta dos Macacos – A Guerra (9,0)

Esta é uma discussão antiga, mas volto a defender que Andy Serkis merece uma indicação ao Oscar. Há uma evolução enorme em sua interpretação como César e Planeta dos Macacos – A Guerra é a cereja deste bolo saboroso e bem recheado. Há conflitos internos que emocionam e uma busca por redenção muito palpável e sem os costumeiros maniqueísmo hollywoodianos.

Matt Reeves é um diretor que além de filmar cenas de conflitos que tiram o fôlego, nunca esquece da importância do desenvolvimento dos personagens primários e secundários. Além disso, A Guerra trás uma crítica social das mais devastadoras e inverte os valores, pois os ‘animais’ acabam se tornando mais racionais que os seres humanos – mesmo que também tenham seus momentos de perda de controle.

Os fãs poderão ficar tranquilos, pois Maurice e Bad Ape, fiéis escudeiros de César estão lá, assim como os impagáveis Rocket e seu humor trágico e a humana vivida pela excelente Amiah Miller. O antagonista é vivido por Woody Harrelson e mesmo lembrando Marlon Brando em Apocalipse Now, surpreende por entregar uma loucura que bate de frente com a sede de vingança de César.

Diferentemente da saga Transformers, por exemplo, que utilizam duas horas de duração para fazer mais do mesmo, em Planeta dos Macacos – A Guerra, o espectador não verá o tempo passar. Tudo é colocado ali com um propósito. E além do diretor, devemos exaltar a presença de Michael Giacchino, responsável pela trilha sonora retumbante.

Assim como o já citado Apocalipse Now, vemos referências também a obras como 2001 – Uma Odisséia no Espaço, a obra original estrelado por Charlton Heston de 1968 e A Ponte do Rio Kwai. Mas Planeta dos Macacos – A Guerra também se sobressai pela coragem de finalizar a trilogia no momento certo, mostrando que mesmo nas piores crises, ainda podemos ter esperança de encontrarmos um local melhor para viver.

Por Éder de Oliveira
Jornalista e criador do site www.cinemaepipoca.com.br