Alunos da Educação Integral da Vila União exibem filme no Festival do Rio

Em meados do século XX, uma garota acabara de se mudar para uma nova casa. Ainda conhecendo cômodo por cômodo da residência recém-comprada, um armário chama sua atenção e, curiosa, não hesita em abri-lo para descobrir o que há dentro do móvel. Mas, ao fazer isso, ela é enviada a 300 anos no futuro, no século XXIII. Rodeada por uma sociedade diferente daquela a que está habituada, falando inglês e com costumes incomuns para a realidade que conhece, ela passa a buscar uma maneira de voltar para o seu cotidiano no século XX.
Esse é o enredo da ficção científica “A Viagem no Tempo”, produzida por oito alunos do 9º ano da Escola de Educação Integral Professor Zeferino Vaz (Caic), localizada na Vila União. A produção participou da 19ª edição do Festival do Rio, evento, que apresenta e premia obras do cinema nacional e internacional e, este ano, aconteceu entre os dias 5 e 15 de outubro no Rio de Janeiro.
No dia 9, os adolescentes desembarcaram na capital fluminense acompanhados de duas professoras e da orientadora pedagógica da unidade. Lá, apresentaram o curta-metragem no programa Vídeo Fórum, espaço da Mostra Geração do Festival, onde crianças e jovens apresentam seus filmes e debatem a linguagem audiovisual.
Inspirados em filmes de ficção, os alunos produziram o vídeo de cerca de 8 minutos, foram avisados do Festival e se inscreveram. Na lista dos 42 filmes selecionados na categoria, foram os únicos representantes do estado de São Paulo presentes na 19ª edição.
O apresentador falou diretamente com a gente, fez uma entrevista e também gravaram um programa de TV. Isso deixou a gente muito animado”, disse Maria Isabel Barbosa da Silva, aluna que dirigiu o filme.
Para a estudante Ana Carolina Carnicelli, produzir e apresentar o vídeo não foi tarefa fácil, mas o esforço do grupo foi recompensado com a experiência e o reconhecimento adquiridos. “Dá aquela vergonha porque até então a gente só tinha apresentado para as professoras e para a escola. Chegando lá, tinha muita gente assistindo. Mas foi uma experiência muito legal, diferente. Ninguém esperava por isso”.
Nossos professores são muito competentes, muito dedicados e fazem um trabalho maravilhoso. Todo esse trabalho em equipe culminou nesse sucesso dos alunos”, elogiou Idelvandre Vilas Boas Santos, orientadora pedagógica da escola. “Nós vemos os alunos fazendo um trabalho de qualidade, sendo protagonistas. É isso que queremos: alunos protagonizando na educação, na escola”, concluiu.
Projeto
A unidade na Vila União possui um projeto que trabalha produções de audiovisual com os estudantes do Ensino Fundamental. Professoras fazem atividades baseadas em filmes assistidos em sala de aula. Aline Amsberg de Almeida, professora de inglês e responsável pelo projeto em 2017, estimula os alunos a, além de assistir aos filmes, realizar suas próprias produções. “O cinema tem que estar dentro da escola e os alunos têm que produzir, usar a câmera, saber que a câmera que eles têm em mãos tem poder e como usar isso de maneira correta. É uma questão de integrar a tecnologia com a educação”, afirmou Aline.
A diretora da escola, Edineia Marques Mendes, enfatizou o trabalho que é feito na Educação Integral de Campinas e valorizou o empenho dos responsáveis pelo projeto. “O trabalho é diferenciado. As professoras trazem o estímulo que os alunos buscam. Eles querem esse tipo de atividade na escola. Eles não estão aqui para sentar e ficar no formato ‘x e y’. Eles querem inovação e a escola tem que estar preparada para atender esse diferencial que vem de cada um”.
Além de Maria Luisa e Ana Carolina, também participaram da produção de “A Viagem no Tempo” os alunos Camila Martins Anizau, Gabrielle Finetto Mendes, Isaac Oliveira, Lara Miras Theodoro, Lucas Borges Silva e Yuri Batista de Brito, todos do 9º ano.
Essa turminha tem um desenvolvimento incrível. Eu acompanhei o processo desde o início e eles são muito bons”, comentou a professora de Artes Lívia Matos Soares Fernandes. “A gente tem que trabalhar isso, dar espaço para eles conseguirem desenvolver. Porque tem muito talento por aí. E eles precisam desse espaço. Se a gente não abre, eles não conseguem desenvolver o projeto”, concluiu Lívia.